Fomos para Faixa de Gaza e voltamos vivos para contar

11/02/2016

Por Mateus Carvalho²

Imagina só você falar para os familiares e amigos que vai visitar a Faixa de Gaza. Certamente iriam dizer que você é maluco da cabeça, que ia morrer ou que você tá brincando com sua vida. Sim, confesso que fiquei um pouco receoso de chegar lá, mas eu tinha que ir por motivos profissionais e também por muita, mas muita curiosidade.

Na verdade, fomos até a fronteira, até porque entrar em território palestino a partir de Israel não é lá uma boa ideia. A cidade israelense que faz fronteira com Gaza chama-se Sderot e é muito louco ver que lá é cheio de bunkers (ou abrigos) para que as pessoas se protejam de possíveis mísseis vindos de Gaza. Óbvio que não nos aventuramos por terras “perigosas” sozinhos, tivemos a incrível companhia da israelense Ogenia, que por sinal fala um português quase que perfeito. Isso porque ela é casada com um baiano, mas que vive em Israel há muitos anos.

Bunker: população tem só 15 segundo para correr e ficar protegida
Bunker: população tem só 15 segundos para correr e ficar protegida

Eu imaginava Gaza como um lugar beeeem perigoso, com homens armados tanto do lado israelense quanto do lado palestino. E o que vi lá? Nada disso. Não há manifestação de guerra há 2 anos e o máximo que vi foi um dirigível gigante de Israel que monitora todos os passos dos palestinos. Vi também alguns mísseis disparados pela Palestina, já detonados, e o engraçado é que é muito claro o incentivo iraniano e saudita para atacar o Israel. Todos os mísseis têm um registro e pude ver que o financiamento pró-Palestina é totalmente aberto.

Mas como é Gaza? É uma cidade normal, assim como qualquer outra. Claro, mais parecida com cidades árabes, com prédios marrons, alguns prédios com marcas de guerra, mas não deixa de ser uma cidade comum. O legal da visita à fronteira foi descobrir que Gaza não é uma “favela”. É uma sensação muito louca, porque você chega esperando uma coisa e encontra outra.

Fronteira que separa Israel de Gaza
Fronteira que separa Israel de Gaza

Infelizmente Israel não os considera como um país. Sendo assim, Palestina não considera os vizinhos rivais também como país. O que confunde é: por que Israel luta tanto contra ele e por que não abdicam de uma vez por todas da terra palestina? É uma longa história. Os israelenses, que são patriotas ao extremo, defendem sua terra a todo custo e jogam toda a culpa para a Palestina. E o que senti dos israelenses? Por ora senti que eles têm ódio dos palestinos. Entendo o lado deles, são muitas questões envolvidas que, pelo jeito, demorarão a serem resolvidas.

Comentários:

  1. Olá Mateus, estou indo em fevereiro de 2017. É possível entrar em Gaza? Sózinha ou somente com guia? Podes me passar o contato desse guia? Obrigada

    1. Olá Andrea, tudo bem?
      Não chegamos a entrar na Palestina. É muito difícil conseguir sozinha. Recomendamos procurar alguma organização social que atua em Gaza. Inclusive na imigração em Israel eles perguntam se você tem intenção de entrar na Palestina.

  2. Olá, boa noite! Em Jerusalém encontramos guias que falam português?? Porque gostaria de ir com minha esposa fazer reserva de um apto ou um hotel barato e anda r por la!! Com fazemos pela europa!! Gasta-we nem menos!! Podem dar as dicas! Ah precisa visto no passaporte?? Abs
    simoesdeoliveira @hotmail.com

    1. Olá, tudo bem?
      Brasileiros não precisam de visto.
      Você pode encontrar alguns bons preços no booking. Nós ficamos em AIRBNB, e também valeu muito a pena! Os apartamentos costuma ser reformados e bonitos!

  3. Hei, muito legal sua postagem, tenho planos de ir la tambem e gostaria do seu contato la, pois pretendo viver essa experiencia de Gaza…abs

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